[2352.] Progresso, Desenvolvimento e Modernidade em nome da Felicidade

DIA VENCIDO

Discurso proferido por ocasião do 25.º aniversário da EPVL

Boa tarde a todos.

O nosso muito obrigado a todos pela vossa presença.

Festejamos hoje o 25.º aniversário da Escola Profissional Vasconcellos Lebre. E o inevitável aconteceu… já não há quase nada a acrescentar ao tanto que já foi dito sobre esta escola e sobre o seu papel nesta região e na comunidade e na vida de cerca de meio milhar de jovens, de muitos adultos e de tantas outras famílias.

Interessa hoje, no entanto, fazer algumas perguntas – na maior parte dos casos questões que se impõe que sejam colocadas a nós próprios. E quando digo nós, falo enquanto cidadão, como português, como homem livre. Esta é a nossa condição básica como pessoas, antes de títulos, posses ou responsabilidades.

– Pode uma escola ser um motor de desenvolvimento de uma comunidade no trilho da modernidade e do progresso?

– Pode uma escola ter, efectivamente, um projeto educativo de transformação dos jovens em pessoas felizes e conscientes da sua missão na sociedade?

– Pode uma escola ser um fator diferenciador no seio da comunidade?

Vinte e cinco anos depois desta escola ter sido criada, acredito que a resposta a, pelo menos estas três perguntas é apenas uma: Sim, pode!

Trabalhámos, enquanto país e estado europeu, há algumas décadas para tornar as escolas todas iguais. Não por uma questão ideológica – acredito eu – fizemos a mesma coisa em relação a tudo o resto… as roupas todas iguais, as casas todas iguais, as maçãs todas iguais e os peixes todos iguais. Chamámos-lhe normalização… não no sentido de tornar normal, mas no sentido de cumprir a norma. Chamámos-lhe democratização. E à ditadura da directiva chamámos-lhe modernidade. Acontece que nada é igual debaixo do céu, e são muitas as nuances, muitos os tons entre as cores que tornam cada individuo, cada coisa, única e irrepetível.

Em determinada altura percebemos que esta fábrica de autómatos a que chamávamos escola – há quem lhe tenha chamado até fábrica de salsichas – poderia responder às necessidades estatísticas, mas não ia ao encontro da necessidade do mercado e, pior ainda, não viabilizava a felicidade dos homens e das mulheres que lutando por um canudo, deixaram de pensar em vocação.

As escolas profissionais nascem para permitir aos jovens uma nova oportunidade de felicidade. Um ensino ao seu ritmo – modular e por isso adaptado –, uma aprendizagem prática, técnica, de desenvolvimento do aprender fazendo, uma valorização do trabalho enquanto elemento essencial para a satisfação do Homem.

Na Mealhada, para além disto, procurou-se criar uma escola com um papel forte na comunidade. Uma escola que não é apenas um edifício, mas é um parceiro, um facilitador, um cúmplice e um porto de abrigo para quem precisa de uma oportunidade. Mas um porto de abrigo para quem precisa de apoio na realização de um projecto, de um espetáculo, de uma reunião ou apenas de um sonho.

Não, as escolas não podem ser todas iguais.

Não, as escolas não são fábricas de autómatos.

Não, as escolas não são produção massiva de resultados para estatísticas.

Uma escola tem de ser um elemento central e aglutinador de esforços e vontades em nome de um programa de progresso, de desenvolvimento e de modernidade.

Esse tem sido o esforço da EPVL nos últimos vinte e cinco anos. Um esforço que resulta de uma pacto solene, assumido por quem aqui entra, seja como professor, como alunos, como funcionário ou como diretor, ou empresário ou trabalhador de uma empresa parceira. Os alunos não são números. Os alunos não são autómatos. Os professores não são máquinas. Os funcionários não são objetos. Os diretores não são chefes. Juntos somos uma escola.

O programa de progresso, de desenvolvimento e de modernidade que atrás sublinhei como fim último do projeto de felicidade que é esta escola não é ideológico. Não estamos aqui para salvar almas, nem para salvar vidas, nem para moldar caracteres a um qualquer modelo. Mas também não somos amorais. O programa inerente a esta escola é de formação, é de dar aos jovens as ferramentas necessárias para que, querendo, possam trilhar um caminho.

Infelizmente nem todos quiseram. Mas a todos demos a oportunidade que muito antes de nós tinham inviabilizado. A todos demos o melhor de nós. De todos sentimos orgulho. Com todos nos sentimos felizes. A todos, hoje, damos os parabéns, pelo aniversário da escola.

Este programa de que vos falo não é perfeito. E posso garantir-vos, até, que é bem mais doloroso do que seria se para nós os alunos fossem apenas números. O envolvimento que se cria, a preocupação que nasce perante a dificuldade ou o insucesso é, na maior parte dos casos, completamente devastador. Gostávamos que os alunos fossem todos brilhantes, se apresentassem todos completamente motivados, inteiramente maduros do ponto de vista da sua personalidade, integralmente formados com regras básicas de convivência social apreendidas no seio da família.

Mas não é assim.

A sociedade que estabelecemos e que hoje, teimosamente criticamos, mas que inadvertidamente preservamos, está a impedir as crianças de serem crianças, os jovens de serem jovens e a pessoa de ser pessoa. E nem sempre estamos preparados para trabalhar com jovens que não se conhecem a si próprios, que não sabem o que é afecto, carinho ou atenção. Que não são capazes de descodificar um elogio. Que só conhecem a rapidez e o automatismo da causa-efeito, que vivem a sua vida em pequenas partículas de 30 segundos, ora em euforia ora em depressão, numa catadupa louca de emoções. Jovens que não são capazes de dizer obrigado ou desculpe e que vêm cada gesto de afecto como um sinal de fraqueza.

Gostávamos todos que fosse diferente. Mas não é. Temos perante nós – e agora falo não do passado mas do futuro, não dos 25 anos que passaram, mas dos que começam hoje – o maior dilema educacional de todos os tempos: “Que escola temos para os alunos que, aparentemente, não querem aprender?”

Hoje é dia de festa, não é dia de reflexões negras. Hoje é dia de alegria, não é dia de desmotivação. Hoje é dia de elogiar o passado sem ter medo do futuro. Mas acreditem, todos, que o dia em que fazemos esta pergunta a nós próprios, pelo menos nesta escola, tem sido o dia-a-dia há muitos dias. E acreditem, também, todos, que estamos a fazer a pergunta para obter a resposta. Não a fazemos para nos lamentarmos. Fazemos a pergunta porque vamos responder e arranjar forças para garantir que a EPVL hoje, como há 25 anos, se apresentará sempre ao serviço da felicidade dos jovens e da comunidade para resolver problemas, não para os criar ou perpetuar.

Nesta escola não nos resignamos. Não desistimos nem de nada, nem de ninguém. Não tremeremos. Não vacilaremos perante estatísticas, perante metas, perante rankings, perante critérios de natureza alguma. O nosso maior critério é o do Serviço. O Serviço à Juventude, o serviço à dignidade da pessoa humana, o serviço à Mealhada e à sua região. O Serviço à modernidade e ao progresso.

Senhor presidente da Câmara, Dr. Rui Marqueiro

Está passado mais um ano desde que me entregou a honrosa missão de gerir esta escola. Sei, porque já o disse várias vezes, que esta é a “menina dos seus olhos” e que é a obra que de que o presidente da Câmara mais se orgulha em várias décadas de trabalho autárquico. Honrosa, mas difícil tarefa em mais um ano em que demos o melhor de nós ao serviço do programa de modernidade que está na origem desta escola. Não foi o ano mais fácil, caríssimo presidente. Mas teria sido muito mais complicado se não fosse o apoio e a solidariedade de V.Excia e da sua equipa. A si, à Câmara Municipal toda, ao presidente e a todos os vereadores, fica o nosso muito obrigado pelo empenho que mostram em cada dia e em cada decisão em fazer desta escola um projeto de todos e de futuro.

As dificuldades de financiamento europeu, no pior ano de todos os tempos a esse nível, mostraram que a Câmara e o seu presidente em particular valorizam e defenderão, sempre, esta escola. Obrigado Dr. Rui.

Senhora presidente da Assembleia Municipal, Dr.ª Daniela Esteves

E na senhora presidente permita-me cumprimentar todos os autarcas, todos os presidentes de Junta de Freguesia, mas também todas as coletividades – associações, grupos informais, empresas e parceiros desta escola. A nossa escola é um espaço de liberdade, mas é, também, um espaço de humanidade e de transformação. Na combinação destes três elementos é, tem sido, um espaço de cidadania e de serviço ao próximo. Um espaço de voluntariado e de combinação de vontades. Tenha senhora presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, a certeza de que estamos cá, sempre, para dar o melhor de nós pela nossa comunidade.

Caríssimo amigo presidente da ANESPO, Dr. José Luís Presa

Aceite o abraço amigo da EPVL a todas as escolas profissionais. Aceite, nesse abraço, a força e a disponibilidade para defender este modelo de aprendizagem, para defender este modelo de escola e de serviço. Aceite a nossa certeza de que faremos sempre, o que estiver ao nosso alcance pela valorização dos nossos alunos nas empresas, nas universidades, mas acima de tudo na opinião pública que precisa de saber valorizar o contributo que temos prestado aos portugueses.

Dr.ª Cristina Oliveira, Delegada Regional da Educação do Centro

Digará a história o que disser, pensem os diretórios o que pensarem, a verdade é que da EPVL a palavra que a DGestE leva é um profundo Obrigado e um verdadeiro e sincero sinal de grande reconhecimento. Têm sido conturbados os tempos da Educação em Portugal. Num sector onde a calmaria e a estabilidade melhor contributo dão para a sua viabilidade, a verdade é que não têm sido de feição os tempos que atravessamos. No caso das escolas profissionais, é certo, a problemática do financiamento tem sido de tal ordem que pode parecer que é mínimo tudo o resto. Mas valorize, senhora Delegada, a palavra que lhe deixo a si e à sua equipa – e permita-me que não diminuindo ninguém, destaque a Dr.ª Ana Mónica Oliveira – de que seria muito mais complicado para nós sobreviver à tempestade se não soubéssemos que na DGestE do Centro temos alguém que nos compreende, que fala a mesma língua que nós, que nos dá a garantia de que há um rumo e um leme. Obrigado.

Aproveito a oportunidade, ainda, para agradecer a presença do Eng.º Bruno Coimbra, deputado da Nação, grande amigo desta casa. Temos encontrado na pessoa do senhor deputado uma importante ajuda no contacto com os decisores políticos e no encontrar de soluções para muitos problemas. Temos tido, também, na sua pessoa, um parceiro importante na formação para a cidadania dos nossos alunos, na assunção real de que o poder político está ao serviço de todos e do povo, em primeiro lugar. Muito obrigado.

Nunca será demais referir-me ao nosso diretor-geral emérito, ao Eng.º João Pega, com uma palavra de gratidão profunda e de elogio. Pelas suas palavras, mas também pela humildade com que já tendo sido o líder não deixa hoje de ser um amigo e um parceiro na construção desta escola que é nossa mas a quem ele deu criação. Também já tudo o que lhe poderíamos dizer foi dito, já tudo o que poderia ser demonstrado o foi. Fica a certeza de que tudo isso se renova e cresce a cada aniversário. Mas hoje, o Eng.º Pega está aqui como representante do sócio Caixa de Crédito. E nessa qualidade, especialmente, tenho de lhe pedir que enderece à instituição o nosso obrigado pela solidariedade que connosco tem tido, todo o apoio que nos deu neste ano terrível. Muito obrigado.

 

 

Neste dia de festa, de alegria e de comemoração, na pessoa da nossa diretora pedagógica, Dr.ª Mané, quero deixar três palavras de gratidão.

Obrigado aos nossos funcionários – ou colaboradores, se preferirem – por tudo o que têm dado por esta escola, pela maneira como a defendem e preservam, pelo modo como se entregam a cada tarefa e desafio, pela postura de nunca baixar os braços, de nunca desistir perante as adversidades, as necessidades de contenção, ou a ausência de certezas. Esta escola é os alunos que teve e tem – “pelos frutos se conhece a árvore!” – mas esta escola é, sem dúvida nenhuma, o resultado do esforço, da entrega e do amor que cada um de vocês entrega em cada dia. Obrigado.

Presto tributo aos nossos professores, com forte admiração e muita gratidão. O ano que agora termina não foi fácil, já o disse. Foi intenso, e testámos todos os nossos limites – físicos e psicológicos, logísticos e anímicos, humanos e materiais. O ano letivo de 2015/16 foi o do limite. Um número recorde de alunos, congregados num número recorde de turmas, com um número recorde de cursos a funcionar ao mesmo tempo, num espaço no limiar da sua capacidade máxima. Conseguimos e, pelo teste a nós próprios, superámo-nos. Ainda assim, conquistámos a certificação da Qualidade ISO 9001 para a nossa organização e executámos um plano de atividades intenso, repleto, completo e virado para a comunidade e para o exterior da escola. Vivemos o pior ano de que há memória do ponto de vista dos atrasos nos reembolsos do financiamento comunitário de que depende a escola. Mas conseguimos.

Chegamos ao fim do ano exaustos. Com os níveis de resistência e resiliência a precisar de reforço e de carregamento intenso. Com capacidade para comemorar, com capacidade de dar, ainda, os primeiros passos para mais um ano letivo, para mais um ciclo formativo, para o reinício do sempre vitalizador ciclo da vida de uma escola. Obrigado pela vossa entrega e dedicação.

Caríssima Mané,

Conseguimos. Acreditámos, desafiámos tudo o que havia para desafiar e conseguimos. Sabemos, os dois, melhor do que ninguém, o que custou. Trabalhámos ombro a ombro, ultrapassámos muitas tormentas e fomos além da dor.  Obrigado Mané. Parabéns Mané. És a maior, Mané!

Permitam-me ainda uma palavra de acolhimento, também, para os antigos e atuais alunos da escola, antigos e atuais professores e formadores, antigos e atuais funcionários, bem como a todos os amigos da escola.

Excelências,

Caríssimos amigos,

Ao longo do último ano, procurámos sublinhar o legado da EPVL na vida de mais de dois mil jovens, que por aqui passaram, que aqui encontraram um rumo, um caminho, uma oportunidade e um destino de felicidade e autorrealização. Jovens que, com coragem, resistência e resiliência, pela superação de todos os medos e fragilidades, são hoje profissionais de sucesso, homens e mulheres mais completos, seres plenos de vida e realizados.

Neste aniversário, e ao longo dos próximos meses, procurámos fazer o elogio do nosso lema: “Ser Profissional Vale +”, e demonstrámos a verdade deste mote, com os antigos alunos que hoje estão nas empresas, nas fábricas, nos restaurantes, mas também nas universidades, como alunos e como docentes, a demonstrar isso mesmo. A provar que a via da aprendizagem profissionalizante, por ser mais prática, é mais proveitosa, é mais valiosa, é mais formativa e muito mais compensadora, para quem acredita no trabalho como forma de alcançar o sucesso e a realização pessoal.

Um resultado de 97,58% de sucesso – com 21,28% dos nossos alunos alunos diplomados a prosseguirem para o ensino superior e 76,30% a trabalharem, 80% dos quais na área de formação em que se diplomaram.  Resultados alcançados graças a uma estratégia de acompanhamento dos alunos ao longo da vida alicerçada num corpo de professores e formadores empenhadíssimo, interessadíssimo, muito dinâmico e ativo que compreende que a missão da Escola Profissional Vasconcellos Lebre passa pela formação dos nossos formandos, mas, também, por uma disposição para o serviço junto da comunidade, fora das paredes na escola, junto das empresas e do mundo real, onde os homens e as mulheres têm momentos de alegria e de angústia.

Parabéns a todos, obrigado a todos.

Muito obrigado pela vossa presença.

Viva a EPVL. Viva a EPVL. Viva a EPVL.

 

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Discurso proferido por ocasião do 25.º aniversário da EPVL

Boa tarde a todos.

O nosso muito obrigado a todos pela vossa presença.

Festejamos hoje o 25.º aniversário da Escola Profissional Vasconcellos Lebre. E o inevitável aconteceu… já não há quase nada a acrescentar ao tanto que já foi dito sobre esta escola e sobre o seu papel nesta região e na comunidade e na vida de cerca de meio milhar de jovens, de muitos adultos e de tantas outras famílias.

Interessa hoje, no entanto, fazer algumas perguntas – na maior parte dos casos questões que se impõe que sejam colocadas a nós próprios. E quando digo nós, falo enquanto cidadão, como português, como homem livre. Esta é a nossa condição básica como pessoas, antes de títulos, posses ou responsabilidades.

– Pode uma escola ser um motor de desenvolvimento de uma comunidade no trilho da modernidade e do progresso?

– Pode uma escola ter, efectivamente, um projeto educativo de transformação dos jovens em pessoas felizes e conscientes da sua missão na sociedade?

– Pode uma escola ser um fator diferenciador no seio da comunidade?

Vinte e cinco anos depois desta escola ter sido criada, acredito que a resposta a, pelo menos estas três perguntas é apenas uma: Sim, pode!

Trabalhámos, enquanto país e estado europeu, há algumas décadas para tornar as escolas todas iguais. Não por uma questão ideológica – acredito eu – fizemos a mesma coisa em relação a tudo o resto… as roupas todas iguais, as casas todas iguais, as maçãs todas iguais e os peixes todos iguais. Chamámos-lhe normalização… não no sentido de tornar normal, mas no sentido de cumprir a norma. Chamámos-lhe democratização. E à ditadura da directiva chamámos-lhe modernidade. Acontece que nada é igual debaixo do céu, e são muitas as nuances, muitos os tons entre as cores que tornam cada individuo, cada coisa, única e irrepetível.

Em determinada altura percebemos que esta fábrica de autómatos a que chamávamos escola – há quem lhe tenha chamado até fábrica de salsichas – poderia responder às necessidades estatísticas, mas não ia ao encontro da necessidade do mercado e, pior ainda, não viabilizava a felicidade dos homens e das mulheres que lutando por um canudo, deixaram de pensar em vocação.

As escolas profissionais nascem para permitir aos jovens uma nova oportunidade de felicidade. Um ensino ao seu ritmo – modular e por isso adaptado –, uma aprendizagem prática, técnica, de desenvolvimento do aprender fazendo, uma valorização do trabalho enquanto elemento essencial para a satisfação do Homem.

Na Mealhada, para além disto, procurou-se criar uma escola com um papel forte na comunidade. Uma escola que não é apenas um edifício, mas é um parceiro, um facilitador, um cúmplice e um porto de abrigo para quem precisa de uma oportunidade. Mas um porto de abrigo para quem precisa de apoio na realização de um projecto, de um espetáculo, de uma reunião ou apenas de um sonho.

Não, as escolas não podem ser todas iguais.

Não, as escolas não são fábricas de autómatos.

Não, as escolas não são produção massiva de resultados para estatísticas.

Uma escola tem de ser um elemento central e aglutinador de esforços e vontades em nome de um programa de progresso, de desenvolvimento e de modernidade.

Esse tem sido o esforço da EPVL nos últimos vinte e cinco anos. Um esforço que resulta de uma pacto solene, assumido por quem aqui entra, seja como professor, como alunos, como funcionário ou como diretor, ou empresário ou trabalhador de uma empresa parceira. Os alunos não são números. Os alunos não são autómatos. Os professores não são máquinas. Os funcionários não são objetos. Os diretores não são chefes. Juntos somos uma escola.

O programa de progresso, de desenvolvimento e de modernidade que atrás sublinhei como fim último do projeto de felicidade que é esta escola não é ideológico. Não estamos aqui para salvar almas, nem para salvar vidas, nem para moldar caracteres a um qualquer modelo. Mas também não somos amorais. O programa inerente a esta escola é de formação, é de dar aos jovens as ferramentas necessárias para que, querendo, possam trilhar um caminho.

Infelizmente nem todos quiseram. Mas a todos demos a oportunidade que muito antes de nós tinham inviabilizado. A todos demos o melhor de nós. De todos sentimos orgulho. Com todos nos sentimos felizes. A todos, hoje, damos os parabéns, pelo aniversário da escola.

Este programa de que vos falo não é perfeito. E posso garantir-vos, até, que é bem mais doloroso do que seria se para nós os alunos fossem apenas números. O envolvimento que se cria, a preocupação que nasce perante a dificuldade ou o insucesso é, na maior parte dos casos, completamente devastador. Gostávamos que os alunos fossem todos brilhantes, se apresentassem todos completamente motivados, inteiramente maduros do ponto de vista da sua personalidade, integralmente formados com regras básicas de convivência social apreendidas no seio da família.

Mas não é assim.

A sociedade que estabelecemos e que hoje, teimosamente criticamos, mas que inadvertidamente preservamos, está a impedir as crianças de serem crianças, os jovens de serem jovens e a pessoa de ser pessoa. E nem sempre estamos preparados para trabalhar com jovens que não se conhecem a si próprios, que não sabem o que é afecto, carinho ou atenção. Que não são capazes de descodificar um elogio. Que só conhecem a rapidez e o automatismo da causa-efeito, que vivem a sua vida em pequenas partículas de 30 segundos, ora em euforia ora em depressão, numa catadupa louca de emoções. Jovens que não são capazes de dizer obrigado ou desculpe e que vêm cada gesto de afecto como um sinal de fraqueza.

Gostávamos todos que fosse diferente. Mas não é. Temos perante nós – e agora falo não do passado mas do futuro, não dos 25 anos que passaram, mas dos que começam hoje – o maior dilema educacional de todos os tempos: “Que escola temos para os alunos que, aparentemente, não querem aprender?”

Hoje é dia de festa, não é dia de reflexões negras. Hoje é dia de alegria, não é dia de desmotivação. Hoje é dia de elogiar o passado sem ter medo do futuro. Mas acreditem, todos, que o dia em que fazemos esta pergunta a nós próprios, pelo menos nesta escola, tem sido o dia-a-dia há muitos dias. E acreditem, também, todos, que estamos a fazer a pergunta para obter a resposta. Não a fazemos para nos lamentarmos. Fazemos a pergunta porque vamos responder e arranjar forças para garantir que a EPVL hoje, como há 25 anos, se apresentará sempre ao serviço da felicidade dos jovens e da comunidade para resolver problemas, não para os criar ou perpetuar.

Nesta escola não nos resignamos. Não desistimos nem de nada, nem de ninguém. Não tremeremos. Não vacilaremos perante estatísticas, perante metas, perante rankings, perante critérios de natureza alguma. O nosso maior critério é o do Serviço. O Serviço à Juventude, o serviço à dignidade da pessoa humana, o serviço à Mealhada e à sua região. O Serviço à modernidade e ao progresso.

Senhor presidente da Câmara, Dr. Rui Marqueiro

Está passado mais um ano desde que me entregou a honrosa missão de gerir esta escola. Sei, porque já o disse várias vezes, que esta é a “menina dos seus olhos” e que é a obra que de que o presidente da Câmara mais se orgulha em várias décadas de trabalho autárquico. Honrosa, mas difícil tarefa em mais um ano em que demos o melhor de nós ao serviço do programa de modernidade que está na origem desta escola. Não foi o ano mais fácil, caríssimo presidente. Mas teria sido muito mais complicado se não fosse o apoio e a solidariedade de V.Excia e da sua equipa. A si, à Câmara Municipal toda, ao presidente e a todos os vereadores, fica o nosso muito obrigado pelo empenho que mostram em cada dia e em cada decisão em fazer desta escola um projeto de todos e de futuro.

As dificuldades de financiamento europeu, no pior ano de todos os tempos a esse nível, mostraram que a Câmara e o seu presidente em particular valorizam e defenderão, sempre, esta escola. Obrigado Dr. Rui.

Senhora presidente da Assembleia Municipal, Dr.ª Daniela Esteves

E na senhora presidente permita-me cumprimentar todos os autarcas, todos os presidentes de Junta de Freguesia, mas também todas as coletividades – associações, grupos informais, empresas e parceiros desta escola. A nossa escola é um espaço de liberdade, mas é, também, um espaço de humanidade e de transformação. Na combinação destes três elementos é, tem sido, um espaço de cidadania e de serviço ao próximo. Um espaço de voluntariado e de combinação de vontades. Tenha senhora presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, a certeza de que estamos cá, sempre, para dar o melhor de nós pela nossa comunidade.

Caríssimo amigo presidente da ANESPO, Dr. José Luís Presa

Aceite o abraço amigo da EPVL a todas as escolas profissionais. Aceite, nesse abraço, a força e a disponibilidade para defender este modelo de aprendizagem, para defender este modelo de escola e de serviço. Aceite a nossa certeza de que faremos sempre, o que estiver ao nosso alcance pela valorização dos nossos alunos nas empresas, nas universidades, mas acima de tudo na opinião pública que precisa de saber valorizar o contributo que temos prestado aos portugueses.

Dr.ª Cristina Oliveira, Delegada Regional da Educação do Centro

Digará a história o que disser, pensem os diretórios o que pensarem, a verdade é que da EPVL a palavra que a DGestE leva é um profundo Obrigado e um verdadeiro e sincero sinal de grande reconhecimento. Têm sido conturbados os tempos da Educação em Portugal. Num sector onde a calmaria e a estabilidade melhor contributo dão para a sua viabilidade, a verdade é que não têm sido de feição os tempos que atravessamos. No caso das escolas profissionais, é certo, a problemática do financiamento tem sido de tal ordem que pode parecer que é mínimo tudo o resto. Mas valorize, senhora Delegada, a palavra que lhe deixo a si e à sua equipa – e permita-me que não diminuindo ninguém, destaque a Dr.ª Ana Mónica Oliveira – de que seria muito mais complicado para nós sobreviver à tempestade se não soubéssemos que na DGestE do Centro temos alguém que nos compreende, que fala a mesma língua que nós, que nos dá a garantia de que há um rumo e um leme. Obrigado.

Aproveito a oportunidade, ainda, para agradecer a presença do Eng.º Bruno Coimbra, deputado da Nação, grande amigo desta casa. Temos encontrado na pessoa do senhor deputado uma importante ajuda no contacto com os decisores políticos e no encontrar de soluções para muitos problemas. Temos tido, também, na sua pessoa, um parceiro importante na formação para a cidadania dos nossos alunos, na assunção real de que o poder político está ao serviço de todos e do povo, em primeiro lugar. Muito obrigado.

Nunca será demais referir-me ao nosso diretor-geral emérito, ao Eng.º João Pega, com uma palavra de gratidão profunda e de elogio. Pelas suas palavras, mas também pela humildade com que já tendo sido o líder não deixa hoje de ser um amigo e um parceiro na construção desta escola que é nossa mas a quem ele deu criação. Também já tudo o que lhe poderíamos dizer foi dito, já tudo o que poderia ser demonstrado o foi. Fica a certeza de que tudo isso se renova e cresce a cada aniversário. Mas hoje, o Eng.º Pega está aqui como representante do sócio Caixa de Crédito. E nessa qualidade, especialmente, tenho de lhe pedir que enderece à instituição o nosso obrigado pela solidariedade que connosco tem tido, todo o apoio que nos deu neste ano terrível. Muito obrigado.

 

 

Neste dia de festa, de alegria e de comemoração, na pessoa da nossa diretora pedagógica, Dr.ª Mané, quero deixar três palavras de gratidão.

Obrigado aos nossos funcionários – ou colaboradores, se preferirem – por tudo o que têm dado por esta escola, pela maneira como a defendem e preservam, pelo modo como se entregam a cada tarefa e desafio, pela postura de nunca baixar os braços, de nunca desistir perante as adversidades, as necessidades de contenção, ou a ausência de certezas. Esta escola é os alunos que teve e tem – “pelos frutos se conhece a árvore!” – mas esta escola é, sem dúvida nenhuma, o resultado do esforço, da entrega e do amor que cada um de vocês entrega em cada dia. Obrigado.

Presto tributo aos nossos professores, com forte admiração e muita gratidão. O ano que agora termina não foi fácil, já o disse. Foi intenso, e testámos todos os nossos limites – físicos e psicológicos, logísticos e anímicos, humanos e materiais. O ano letivo de 2015/16 foi o do limite. Um número recorde de alunos, congregados num número recorde de turmas, com um número recorde de cursos a funcionar ao mesmo tempo, num espaço no limiar da sua capacidade máxima. Conseguimos e, pelo teste a nós próprios, superámo-nos. Ainda assim, conquistámos a certificação da Qualidade ISO 9001 para a nossa organização e executámos um plano de atividades intenso, repleto, completo e virado para a comunidade e para o exterior da escola. Vivemos o pior ano de que há memória do ponto de vista dos atrasos nos reembolsos do financiamento comunitário de que depende a escola. Mas conseguimos.

Chegamos ao fim do ano exaustos. Com os níveis de resistência e resiliência a precisar de reforço e de carregamento intenso. Com capacidade para comemorar, com capacidade de dar, ainda, os primeiros passos para mais um ano letivo, para mais um ciclo formativo, para o reinício do sempre vitalizador ciclo da vida de uma escola. Obrigado pela vossa entrega e dedicação.

Caríssima Mané,

Conseguimos. Acreditámos, desafiámos tudo o que havia para desafiar e conseguimos. Sabemos, os dois, melhor do que ninguém, o que custou. Trabalhámos ombro a ombro, ultrapassámos muitas tormentas e fomos além da dor.  Obrigado Mané. Parabéns Mané. És a maior, Mané!

Permitam-me ainda uma palavra de acolhimento, também, para os antigos e atuais alunos da escola, antigos e atuais professores e formadores, antigos e atuais funcionários, bem como a todos os amigos da escola.

Excelências,

Caríssimos amigos,

Ao longo do último ano, procurámos sublinhar o legado da EPVL na vida de mais de dois mil jovens, que por aqui passaram, que aqui encontraram um rumo, um caminho, uma oportunidade e um destino de felicidade e autorrealização. Jovens que, com coragem, resistência e resiliência, pela superação de todos os medos e fragilidades, são hoje profissionais de sucesso, homens e mulheres mais completos, seres plenos de vida e realizados.

Neste aniversário, e ao longo dos próximos meses, procurámos fazer o elogio do nosso lema: “Ser Profissional Vale +”, e demonstrámos a verdade deste mote, com os antigos alunos que hoje estão nas empresas, nas fábricas, nos restaurantes, mas também nas universidades, como alunos e como docentes, a demonstrar isso mesmo. A provar que a via da aprendizagem profissionalizante, por ser mais prática, é mais proveitosa, é mais valiosa, é mais formativa e muito mais compensadora, para quem acredita no trabalho como forma de alcançar o sucesso e a realização pessoal.

Um resultado de 97,58% de sucesso – com 21,28% dos nossos alunos alunos diplomados a prosseguirem para o ensino superior e 76,30% a trabalharem, 80% dos quais na área de formação em que se diplomaram.  Resultados alcançados graças a uma estratégia de acompanhamento dos alunos ao longo da vida alicerçada num corpo de professores e formadores empenhadíssimo, interessadíssimo, muito dinâmico e ativo que compreende que a missão da Escola Profissional Vasconcellos Lebre passa pela formação dos nossos formandos, mas, também, por uma disposição para o serviço junto da comunidade, fora das paredes na escola, junto das empresas e do mundo real, onde os homens e as mulheres têm momentos de alegria e de angústia.

Parabéns a todos, obrigado a todos.

Muito obrigado pela vossa presença.

Viva a EPVL. Viva a EPVL. Viva a EPVL.

 

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