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Dizia ontem Marcelo Rebelo de Sousa, na sua mensagem de Ano Novo aos portugueses:

«Portugal é onde se encontre um português. Nas nossas fronteiras físicas ou, por todo o mundo, nas nossas fronteiras espirituais. Aí vivendo ou servindo em missão nacional. A todos saúdo e agradeço os Portugais novos que criam dia após dia.»

Só um Presidente da República com a bagagem cultural, histórica e metafísica de Marcelo será capaz – sem ser acusado de revisionista, reacionário ou até mesmo neo-fascista – de voltar a Agostinho e falar das “fronteiras espirituais” dos “Portugais novos” criados “dia após dia” por cada português que o seja.

O agostianismo de Marcelo, na sua mensagem de ano novo – o 875.º da nacionalidade – estende-se, ainda (e até), à exortação da exigência d’”a coragem de reinventarmos o futuro“.

«Reinvenção que é mais do que mera reconstrução material e espiritual(…). Reinvenção pela redescoberta desse, ou talvez mesmo desses vários Portugais, esquecidos, porque distantes, dos que, habitualmente, decidem, pelo voto, os destinos de todos. Reinvenção da confiança dos portugueses na sua segurança, que é mais do que estabilidade governativa, finanças sãs, crescente emprego, rendimentos (…). Reinvenção com verdade, humildade, imaginação e consistência.»

Ilustro esta nota – esta citação inspiradora de Marcelo – com uma outra citação… a da imagem do painel de Jorge Colaço, no Palace Hotel do Bussaco, com a Deusa a mostrar ao ilustre Gama a Máquina do Mundo:

«aqui te dou/ do Mundo aos olhos teus, para que vejas/por onde vás e irás e o que desejas»

Esta imagem – Lusíadas Canto X estâncias 76 a 91 – é, ainda, a capa da minha agenda para 2018. Um apontamento para assinalar o Ano Europeu do Património… com património do nosso Bussaco.